VENDAVAL
Uma chuva de pedra ferindo minha alma,
Roubando minha calma, me dando ilusão;
É uma chuva medonha que nunca acalma,
Uma mascara bisonha em meu coração.
Seus raios que riscam minha vida vazia,
Tornam minha lida pesada e espinhosa;
Trovões tresloucados em negra agonia,
Serpentes vadias em noites saudosas.
É um rosário de lagrimas, dormentes e de um jeito,
Nefasto e imperfeito, que aos poucos me traga;
Tão grande é o sufoco que trago no peito,
Que esta magoa naufragada sutilmente me afaga
Cruel tempestade, dantesca ventania,
Escurecendo meus dias e meu cotidiano;
Sou um flagelado sem ter alegria,
Perambulando em agonia com meus desenganos.
O meu vendaval é tormenta a alagar,
Arrasando minha alma e trazendo a certeza;
Que o pior vai chegar se não me acalmar,
E daqui afastar a amarga tristeza.
*J.L.BORGES
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