SUSSURROS DOS TEMPLOS
No silencio das madrugadas profanas,
Vultos milenares envoltos em lençóis;
Perambulam incansáveis por velhos corredores,
Serão almas penadas ou seres encarnados?
O sino estridente badala meia noite,
Enquanto a chuva saudosa ensaia pingos;
Em vitrais coloridos de sonhos,
E devaneios, perdidos em orações.
A madrugada leviana ensaia um hino,
De lamento ou regozijo ilusório que eu não sei;
Será a dor que evoca os inocentes,
Ou será a alegria? Eu pergunto, pois não sei.
Os versos e lamurias recitados entre as paredes,
São almas de um passado esparso por ai;
Mostrando as historias de deuses milenares,
Enquanto a chuva invade as catedrais.
*J.L.BORGES
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