ANOITECER
A janela espia os amantes inocentes,
Enquanto o sol, coitado,
Confuso e abandonado,
Adormece no poente.
A lua, jovem lua, fogosa e insinuante,
Aguarda impaciente a noite;
Som sua misteriosas vestes,
Cravejadas de vaga-lumes e diamantes.
A tarde vai,
Deixando o sol a ressonar, sonhando...
Mas os amantes continuam na alcova,
Alheios ao anoitecer que está chegando.
A janela. Pobre janela sem ninguém,
Agora envolta em penumbras;
Reflete a luz artificial,
E a noite vem...
*JORGE L. BORGES
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