“O RELOGIO”
O relógio e devorador das horas,
Verdugo do tempo;
Seu tic-tac incessante,
Fecha as portas do presente.
Em seu andar impertinente,
Ele carrega o futuro pela mão;
E num breve instante,
O passado é eternizado.
A morte é tão dolorosa quanto o nascimento,
Porem o relógio pensa saber o que faz;
Ele aclama a noite e os sonhos,
E num segundo o amanha aparece
A tarde chega e o relógio,
Também a devora sem piedade;
Assim o tempo é violado,
E os momentos somem depressa.
*J.L.BORGES
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