segunda-feira, 16 de abril de 2018

O ESPANTALHO

“ESPANTALHO”

Eu não sei em qual o tempo,

Minha imagem se perdeu;

Hoje sou poeira ao vento,

Tudo aqui escureceu.

Eu não sei em qual a tumba,

Que meu corpo está dormindo;

Esta dor que lá retumba,

É minha alma aqui fugindo.

Tanto tempo se passou,

Tantos ventos em frangalhos;

Nesta historio o que restou,

Só memórias de um espantalho.

O que restou nesta vida?

Ilusões sem primavera;

Eu parti sem despedida,

Não deixei nada na terra.

*J.L.BORGES

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