“ESPANTALHO”
Eu não sei em qual o tempo,
Minha imagem se perdeu;
Hoje sou poeira ao vento,
Tudo aqui escureceu.
Eu não sei em qual a tumba,
Que meu corpo está dormindo;
Esta dor que lá retumba,
É minha alma aqui fugindo.
Tanto tempo se passou,
Tantos ventos em frangalhos;
Nesta historio o que restou,
Só memórias de um espantalho.
O que restou nesta vida?
Ilusões sem primavera;
Eu parti sem despedida,
Não deixei nada na terra.
*J.L.BORGES
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