quinta-feira, 5 de abril de 2018

NOITE

NOITE

O vento enfermo sopra o efêmero,

Enquanto a vida em passos lentos;

Nas cavernas da ilusão e sonhos,

É perseguida e engolida pelo tempo.

Tal qual areia de uma ampulheta,

O tempo escorre sem parar;

Nas catacumbas do pensamento,

Onde a vida, pobre vida, morre devagar.

Depois nos restos é apenas dormir,

Sem risos... Sem lagrimas... Sem sonhos, e nada;

Na noite eterna que sepulta o vento,

Apaga o tempo e o pó da estrada.

E deste sono não acordaremos mais,

Nunca mais veremos a luz do dia;

Passará o vento, apagará o tempo,

Mas a noite ficará, lucubre e vazia.

  *J.L.BORGES

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