MULHER ENGANADORA
Te vejo como uma pedra falsa,
Nas entranhas do desconhecido;
Tua fala mansa cheia de graça,
Teus gestos insinuantes e despercebidos.
Afagos e abraços por quase nada,
Fingidos gestos de agradecimentos;
Quem es tu a perambular em entradas,
Serás apenas folha solta ao vento?
Nos devaneios de meus pensamentos,
Te sinto igual vidro reluzente;
Pois tu es apenas a droga do momento,
A riscar meu céu feito estrela cadente.
Que chega num fulgor, mas vai embora,
Sem deixar estampas e nem raízes;
Quem es tu a devorar as horas,
A devorar os dia sem deixar matizes?
Eu sei que teu fim, será sempre sozinha,
Uma mulher destroçada, uma velha enganadora,
Solitária e carente nos vãos destes caminhos.
E assim tu viverás, escassa de valores,
Pois es mulher fingida, sagaz e sedutora,
E conseguistes, eu sei, abalar nossos amores.
*J.L.BORGES
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