domingo, 18 de março de 2018

A MORTE DO RIO

A MORTE DO RIO

O rio que aqui chora,

É um rio que secou;

Perdeu se em memórias,

Que um dia passou.

Secou a vertente,

Do rio que fugou;

Sem luz, sem semente,

Um rio que penou.

Os sulcos da terra,

Rasgam sua estrada;

Sem roncos de feras,

Sem plantas, sem nada.

Na morte do rio,

Chorei bem baixinho;

Meus olhos sombrios,

Na falta do ninho.

O rio foi embora,

Só vejo seu vulto;

Minha alma aqui chora,

Me visto de luto.

Adeus rio de outrora,

Sangue do coração;

Também vou simbora,

Eu e a solidão.

*J.L.BORGES

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