A MORTE DO RIO
O rio que aqui chora,
É um rio que secou;
Perdeu se em memórias,
Que um dia passou.
Secou a vertente,
Do rio que fugou;
Sem luz, sem semente,
Um rio que penou.
Os sulcos da terra,
Rasgam sua estrada;
Sem roncos de feras,
Sem plantas, sem nada.
Na morte do rio,
Chorei bem baixinho;
Meus olhos sombrios,
Na falta do ninho.
O rio foi embora,
Só vejo seu vulto;
Minha alma aqui chora,
Me visto de luto.
Adeus rio de outrora,
Sangue do coração;
Também vou simbora,
Eu e a solidão.
*J.L.BORGES
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