NO FUNDO DO BAR
Nos ruídos da noite devassa,
Entre bolas de bilhar e a cerveja;
Um copo vazio na mesa,
Com as manchas de batom dela.
Lá no fundo da praça uma janela,
Entreaberta e um vulto a espiar;
O murmúrio da noite, o riso dela,
Zombando do boêmio em sua tristeza.
Tantas vozes no bar e aquela mesa,
Vazia, parecendo estar a espera,
Da mulher que o deixou com a cerveja,
E o copo manchado de batom.
No funda da praça um baque surdo,
A janela que se fecha , a luz se apaga;
Na mesa duas cadeiras, uma vazia,
A outra a suportar em si as magoas.
*J.L.BORGES
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