terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

MORCEGUINHO APAIXONADO

MORCEGUINHO APAIXONADO

No espelho do lago subterrâneo,

O morcego se mira e sorri;

Mais uma vez está pronto,

Para sua ronda noturna.

O morceguinho é o guarda noturno,

Das florestas encantadas de Camaquã;

Antigo combatente pára-quedista,

Guarda costas das Yaras de Porã.

Sofre de complexo o coitado,

Mas não vai ao analista;

Nem ao dentista,

Só as vezes vai a terreira de Umbanda.

Vive sonhando e suspirando,

Com aquela ratinha branca

Arisca, lisa e atrevida,

Que mora perto da sanga.

Este morador das cavernas,

Pensador, sonhado e triste;

As vezes assobia para ela,

Ela sorri e não se zanga.

Cego de amor,

Imagina-se um camundongo branco,

Pobre morcego racista,

Inconformado com a sua cor.

Inconformado também com sua posição,

(Vive pendurado de ponta cabeça na caverna)

Mas como é que ele sabe,

Que a sua pretendente é branca.

*J.L.BORGES


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