MORCEGUINHO APAIXONADO
No espelho do lago subterrâneo,
O morcego se mira e sorri;
Mais uma vez está pronto,
Para sua ronda noturna.
O morceguinho é o guarda noturno,
Das florestas encantadas de Camaquã;
Antigo combatente pára-quedista,
Guarda costas das Yaras de Porã.
Sofre de complexo o coitado,
Mas não vai ao analista;
Nem ao dentista,
Só as vezes vai a terreira de Umbanda.
Vive sonhando e suspirando,
Com aquela ratinha branca
Arisca, lisa e atrevida,
Que mora perto da sanga.
Este morador das cavernas,
Pensador, sonhado e triste;
As vezes assobia para ela,
Ela sorri e não se zanga.
Cego de amor,
Imagina-se um camundongo branco,
Pobre morcego racista,
Inconformado com a sua cor.
Inconformado também com sua posição,
(Vive pendurado de ponta cabeça na caverna)
Mas como é que ele sabe,
Que a sua pretendente é branca.
*J.L.BORGES
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