quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

VENDEDOR DE SONHOS

VENDEDOR DE SONHOS

Passo a passo sigo lento na estrada,

Batendo de porta em porta,

Não importa que digam não,

Trago no nada a esperança,

No peito sonhos criança,

Na boca falo ilusão.

O frio que fere meu peito,

O calor que queima meu corpo,

Nada disso me importa;

Nem mesmo a chuva e o vento,

Até a neve, que importa!

Pois sou apenas momento.

Sigo batendo nas portas,

Cobrando e vendendo sonhos;

Como se fosse uma luz,

Ligeira entrando nos lares.

Talvez uma luz a toa,

Pois sou ilusão na vida;

Historias de despedida,

Alem de mares e bares.

*J.L.BORGES
1994


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