VENDEDOR DE SONHOS
Passo a passo sigo lento na estrada,
Batendo de porta em porta,
Não importa que digam não,
Trago no nada a esperança,
No peito sonhos criança,
Na boca falo ilusão.
O frio que fere meu peito,
O calor que queima meu corpo,
Nada disso me importa;
Nem mesmo a chuva e o vento,
Até a neve, que importa!
Pois sou apenas momento.
Sigo batendo nas portas,
Cobrando e vendendo sonhos;
Como se fosse uma luz,
Ligeira entrando nos lares.
Talvez uma luz a toa,
Pois sou ilusão na vida;
Historias de despedida,
Alem de mares e bares.
*J.L.BORGES
1994
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