RABO DE FOGUETE
Levei um ponta pé na bunda,
Por ter acreditado em promessas;
Sonhar com o riso persistente,
Da criança a chorar na noite.
No brilho do cocô infantil;
O perfume francês perde seu valor;
Os sinos das catedrais góticas imploram,
E os bordeis fervilham num sem fim.
A dor da alma é infalível,
Mas a dor do desamor fede;
O aroma da cacaca na chuva,
Reflete a pureza das cidades.
Um trovão rasga as noites milenares,
Tomba um corpo infantil nos becos da cidade;
Risos de escárnio na boca do tirano,
E o povo submisso sendo violado.
Do jovem foi trocada a virgindade,
Pela inocência infantil do ancião;
Promessas tolas, loucos gestos de fortuna,
Má, mundana pátria prostituta.
Mas a luta não acaba, ela começa,
Como a noite negra das cidades;
Sou veterano, sou profano sonhador,
E por sonhar levei um ponta pé na bunda.
*J.L.BORGES.1991
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