terça-feira, 23 de janeiro de 2018

PLANTADOR DE SOLIDÃO

PLANTADOR DE SOLIDÃO

O homem solitário fuma seu cigarro solitário,

No sorver da fumaça a solidão envolve;

Cada tocos de cigarros jogados no cinzeiro,

Representa um amor perdido no tempo.

Seu semblante de fim de tarde,

Não esconde a falta de amor que tanto traz;

Saudades numa tarde fria,

Tão pertinho do inverno e longe do verão.

Pobre homem! Solitário e solidário consigo,

Vivendo lado a lado com a solidão;

Cinza solidão, semente que ele mesmo plantou,

E depois de uma safra abundante também colheu.

Nada mudará neste homem triste,

Nem mesmo a chegada de um novo alguém;

Mudará seu semblante de fim de tarde,

Porque a solidão chegou em seu coração para ficar.

E ficará até o fim de sua tarde.

*J.L.BORGES
1994

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