PLANTADOR DE SOLIDÃO
O homem solitário fuma seu cigarro solitário,
No sorver da fumaça a solidão envolve;
Cada tocos de cigarros jogados no cinzeiro,
Representa um amor perdido no tempo.
Seu semblante de fim de tarde,
Não esconde a falta de amor que tanto traz;
Saudades numa tarde fria,
Tão pertinho do inverno e longe do verão.
Pobre homem! Solitário e solidário consigo,
Vivendo lado a lado com a solidão;
Cinza solidão, semente que ele mesmo plantou,
E depois de uma safra abundante também colheu.
Nada mudará neste homem triste,
Nem mesmo a chegada de um novo alguém;
Mudará seu semblante de fim de tarde,
Porque a solidão chegou em seu coração para ficar.
E ficará até o fim de sua tarde.
*J.L.BORGES
1994
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