terça-feira, 23 de janeiro de 2018

CIDADÃO JACÚ

CIDADÃO JACÚ

Cidadão jacu,

Infeliz infante;

Serás sempre tu,

Raquítico elefante?

Tu sonhas fuzis,

Grandes odisséias;

Nestes teus Brasis,

Onde sou platéia.

Onde teus quartéis,

Te levaram a nada;

Porres nos bordeis,

Quedas nas calçadas

Cidadão jacu,

Da farda rasgada;

Do destino incerto,

Vida estragada.

Onde estão teus sonhos,

Que um dia plantastes;

Nesta militância,

De guerras e artes.

Onde está a barba,

Que tinha na cara

É com a cara lisa,

Que hoje me encaras

Cidadão jacu,

Pobre cidadão;

Será sempre tu,

Resto de ilusão.

É num quadro lindo,

Que um dia pintastes;

Que te vejo agora,

Perto dos combates.

 *J.L.BORGES
1994

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