sexta-feira, 3 de novembro de 2017

CACOS DE REALIDADE

CACOS DE REALIDADE

As vezes eu fico com o olhar,
Perdido num mundo sem cor;
Dá vontade de voar,
De partir sem teu amor.

Pois é tão grande esta ansiedade,
Que toma conta de meu ser;
São cacos de uma realidade,
Que vive sem eu querer.

Eu queria ganhar de presente,
A certeza de estar contigo;
Sentindo teu corpo ardente,
A me dar calor e abrigo.

Tua voz sempre me aquece,
Quando no escuro me chama;
Dizendo que não me esquece,
Dizendo que ainda me ama.

A noite chega trazendo,
Um balaio de saudade;
Que me deixa triste e querendo,
Encontrar a liberdade.

Liberdade de te amar,
De correr amor, lá fora;
Hoje eu só posso sonhar,
Lembrar os dias de outrora.

*J.L.BORGES
Camaquã.1984


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