AS DUAS MÃOS
Uma mão que afaga,
Que afoga o desejo;
Que numa réstia do nada,
Te oferece mil beijos.
Outra mão que persiste,
Que existe no amor;
Que não fere, que insiste,
Em calar esta dor.
São duas mãos, são dez dedos,
Que manipulam o piano;
De teu corpo, sem medo,
Este amor doce e insano.
Minhas mãos, minha arma,
Que te embala em frenesi;
Me dá vida e karma,
Mil ternuras, eu aqui.
*J.L.BORGES
Camaquã.1984
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