PESADELOS
Na solidão intransponível dos sonhos,
Vultos medonhos rondam este escuro;
Ouço gargalhadas no escuro deste quarto,
É um parto dormir, prefiro acordar.
A todo o momento ouço vozes que apavoram,
E devoram pouco a pouco o pouco que me resta;
Entre as frestas das janelas as luzes tremulam pálidas,
São almas esquálidas a perambularem em sonhos.
O negro abandono transcende esta noite,
Cruéis são os açoites neste negro silencio;
Se penso que estou livre mais preso fico agora,
A minha alma implora em busca de uma luz.
A cruz destes momentos é tosca e tão pesada,
Que até a madrugada tem medo de chegar;
Suspenso neste ar o deus da noite olha,
Meu sono agitado sem pressa de acordar.
O deus da noite negra suspende este manto,
O pranto e a solidão flutuam neste vento;
Até o pensamento fugiu de minha mente,
Com medo da semente que o deus da noite planta.
*J.L.BORGES
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