terça-feira, 27 de março de 2018

PESADELOS

PESADELOS

Na solidão intransponível dos sonhos,

Vultos medonhos rondam este escuro;

Ouço gargalhadas no escuro deste quarto,

É um parto dormir, prefiro acordar.

A todo o momento ouço vozes que apavoram,

E devoram pouco a pouco o pouco que me resta;

Entre as frestas das janelas as luzes tremulam pálidas,

São almas esquálidas a perambularem em sonhos.

O negro abandono transcende esta noite,

Cruéis são os açoites neste negro silencio;

Se penso que estou livre mais preso fico agora,

A minha alma implora em busca de uma luz.

A cruz destes momentos é tosca e tão pesada,

Que até a madrugada tem medo de chegar;

Suspenso neste ar o deus da noite olha,

Meu sono agitado sem pressa de acordar.

O deus da noite negra suspende este manto,

O pranto e a solidão flutuam neste vento;

Até o pensamento fugiu de minha mente,

Com medo da semente que o deus da noite planta.

    *J.L.BORGES

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