quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

ESTRANHOS NA NOITE

ESTRANHOS NA NOITE

A luz da noite é tão estranha,

A noite esconder a lua de mim;

Procuro e não encontro este jardim,

E me encontro perdido em paz tamanha.

Só me encontro se encontro algum sorriso,

Da criança sem camisa e pé no chão;

Na procura eu desenho um paraíso,

Estampado dentro de teu coração.

Sou estranho nesta vida que me afaga,

Onde todos passam e não me dizem adeus;

Sou estrangeiro nesta vida que naufraga,

Onde morro se não ter os beijos teus.

Chega ano, passa ano e nada muda,

Vejo rusgas e sorrisos em tantas faces;

Um abraço que é me dado de lambuja,

Outra dor eloqüente que aqui nasce.

Sou estranho e tu és também estranha

Num planeta que viaja tão veloz;

Sou moinhos e dragões nesta montanha,

Russa onde mal ouvimos a nossa voz.

*J.L.BORGES

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