ESTRANHOS NA NOITE
A luz da noite é tão estranha,
A noite esconder a lua de mim;
Procuro e não encontro este jardim,
E me encontro perdido em paz tamanha.
Só me encontro se encontro algum sorriso,
Da criança sem camisa e pé no chão;
Na procura eu desenho um paraíso,
Estampado dentro de teu coração.
Sou estranho nesta vida que me afaga,
Onde todos passam e não me dizem adeus;
Sou estrangeiro nesta vida que naufraga,
Onde morro se não ter os beijos teus.
Chega ano, passa ano e nada muda,
Vejo rusgas e sorrisos em tantas faces;
Um abraço que é me dado de lambuja,
Outra dor eloqüente que aqui nasce.
Sou estranho e tu és também estranha
Num planeta que viaja tão veloz;
Sou moinhos e dragões nesta montanha,
Russa onde mal ouvimos a nossa voz.
*J.L.BORGES
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