domingo, 4 de fevereiro de 2018

DOIS CÉUS

DOIS CÉUS

Eu vejo um céu azul,

Alem deste céu particular,

Onde não existe fome,

Nem o fogo que consome,

A pressa de terminar.

Eu vejo teu sorriso,

Aquele riso infantil,

Parecendo o céu anil,

Com medo de algum inverno.

Eu vejo as portas do inferno,

Me convidando a entrar;

Invadir teu céu azul,

Teu mundo particular.

Eu vejo que nada existe,

Quando os sonhos são vazios.

Eu vejo que tudo é triste,

Quando a miséria resiste.

Eu vejo fome no mundo,

O inferno no submundo,

Dominando o triste povo;

Não vejo nada de novo,

Pois vejo o mundo acabar,

Na dor que este pobre herda,

Num céu sob um céu de fogo.

Vejo que o caos toma conta,

Deste mundo que me enerva,

Eu vejo almas tontas,

Se afogando num mar,

De lagrimas, de dor, de merda.

*J.L.BORGES

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