DISTANTE DO MEU BEM
A lua lá no alto me vigia,
E diz para eu sonhar com ela;
Aqui do cantinho da janela,
Eu olho para a lua que me espia.
A rua cambaleante me convida,
A sair por ai a passear;
Sob a luz hipnótica do luar,
Divindade imortal, quase esquecida.
Enquanto passarinhos fazem o ninho,
O sol da adeus a bela lua;
E eu cambaleante igual a rua,
Percebo que estou aqui sozinho.
Momentos de prazer e tanto gozo,
Nas tardes que faceira vão embora;
Com a lua enamorada que implora
Do andante apenas um beijo e mais um logro.
A tarde vai embora, a noite vem
Com ela os doces sonhos na longa estrada;
A noite dá lugar a madrugada,
E eu aqui distante do meu bem.
*J.L.BORGES
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