MARÇO NEGRO
O sol negro fala baixinho,
Canta uma canção de ninar;
Dá vontade de voar alto,
Beijar a lua a naufragar.
A noite negra chega depressa,
Anunciando o inverno que vem;
Sob a lua da estrela fria,
Dando tristeza a alguém.
Numa fração de segundos,
O falcão despenca do infinito;
O mundo estanca de repente,
No trincar do rosto aflito.
Tudo é dor e solidão,
A relva é áspera e fria;
Até a própria canção,
De ninar é tão vazia.
Sob a luz da inconsciência,
Descansa o quieto falcão;
Segue uma viagem sem volta,
Seu leito e o negro caixão.
O sol negro brilha frio,
Depois da noite de dor;
Prepara lento a armadilha,
Outra noite sem calor.
*J.L.BORGES
1989
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