terça-feira, 2 de janeiro de 2018

MARÇO NEGRO

MARÇO NEGRO

O sol negro fala baixinho,

Canta uma canção de ninar;

Dá vontade de voar alto,

Beijar a lua a naufragar.

A noite negra chega depressa,

Anunciando o inverno que vem;

Sob a lua da estrela fria,

Dando tristeza a alguém.

Numa fração de segundos,

O falcão despenca do infinito;

O mundo estanca de repente,

No trincar do rosto aflito.

Tudo é dor e solidão,

A relva é áspera e fria;

Até a própria canção,

De ninar é tão vazia.

Sob a luz da inconsciência,

Descansa o quieto falcão;

Segue uma viagem sem volta,

Seu leito e o negro caixão.

O sol negro brilha frio,

Depois da noite de dor;

Prepara lento a armadilha,

Outra noite sem calor.

*J.L.BORGES
1989

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