quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

ALEM DA VIDRAÇA

ALEM DA VIDRAÇA
                                 
A noite chegou bruscamente,
Trazendo comigo a solidão;
O metal cortante da ilusão,
Dilacerando meu corpo ardente.

O frio me ataca neste momento,
Sufoco triste na noite fria;
Pois sinto a dor e a melancolia,
Invadir aos poucos meus pensamentos.

É só em você que eu penso agora,
Com misturas de raiva e de saudade;
Pois é cruel minha realidade,
Sabendo que fostes embora.

Com você foi embora meu riso e graça,
A felicidade que era bela;
Espio assustado desta janela,
A vida que circula alem da vidraça.

Vejo então que ninguém se toca,
Ninguém percebe minha solidão;
Sufoca aos poucos meu coração,
Ninguém me ama, ninguém me nota.

*J.L.BORGES
CACHOEIRINHA.1986

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