ALEM DA VIDRAÇA
A noite chegou bruscamente,
Trazendo comigo a solidão;
O metal cortante da ilusão,
Dilacerando meu corpo ardente.
O frio me ataca neste momento,
Sufoco triste na noite fria;
Pois sinto a dor e a melancolia,
Invadir aos poucos meus pensamentos.
É só em você que eu penso agora,
Com misturas de raiva e de saudade;
Pois é cruel minha realidade,
Sabendo que fostes embora.
Com você foi embora meu riso e graça,
A felicidade que era bela;
Espio assustado desta janela,
A vida que circula alem da vidraça.
Vejo então que ninguém se toca,
Ninguém percebe minha solidão;
Sufoca aos poucos meu coração,
Ninguém me ama, ninguém me nota.
*J.L.BORGES
CACHOEIRINHA.1986
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