MÃE TERRA
O mar que banha meu corpo,
Num jeito medonho, e importuno;
Parece as tristezas de marte,
E os suspiros do velho netuno.
As pedras que ferem meus pés,
Ao longo dos tempos dos anos;
Parecem-me visões de saturno,
E lagrimas do inóspito urano.
O ar que beija minha face,
E o fogo em meu coração;
Me lembra o sorriso de Vênus,
O olhar do longínquo plutão.
A água que acalma a sede,
Do corpo, da mente, da alma;
Me faz ter lembranças de júpiter,
Me faz reviver o meu karma.
O silencio que reina em mercúrio,
No meio de tantas expulsões;
Me faz te lembrar mansamente,
Oh! Terra de tantas ilusões.
*J.L.BORGES
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