segunda-feira, 2 de abril de 2018

VENDAVAL

VENDAVAL

Mulher serpente que meu peito abrasa,

Nesta forma envolvente de paixão profana;

Vendaval de amor que a solidão arrasa,

Nesta volúpia de um desejo insano.

Teus beijos mulher é o cerne de um vulcão,

Um verme benigno que penetra aqui;

Enraizando-se sem pedir licença em meu coração,

Que sofre e goza de amor por ti.

Pois tu mulher fizeste-me prisioneiro,

Se fez senhora de meus pensamentos;

E te digo mulher que no mundo inteiro,

Tu estas em mim igual um doido vento.

E assim querida, este vendaval,

De amor que tenho, eu sei que também tens;

Tu es meu bem e es também meu mal,

Esta paixão que a dois convem.

 *J.L.BORGES


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