VENDAVAL
Mulher serpente que meu peito abrasa,
Nesta forma envolvente de paixão profana;
Vendaval de amor que a solidão arrasa,
Nesta volúpia de um desejo insano.
Teus beijos mulher é o cerne de um vulcão,
Um verme benigno que penetra aqui;
Enraizando-se sem pedir licença em meu coração,
Que sofre e goza de amor por ti.
Pois tu mulher fizeste-me prisioneiro,
Se fez senhora de meus pensamentos;
E te digo mulher que no mundo inteiro,
Tu estas em mim igual um doido vento.
E assim querida, este vendaval,
De amor que tenho, eu sei que também tens;
Tu es meu bem e es também meu mal,
Esta paixão que a dois convem.
*J.L.BORGES
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