SILENCIO
Um silencio choroso envolve este dia,
Beijando os telhados e os vegetais
Percebo no riso desta ventania,
Lembranças copiosas de um tempo de paz
As nuvens que molham do alto a cidade,
Encharcam a rua com leves lembranças;
E a gente percebe que esta ansiedade,
É um dom ponderável que o espírito alcança.
Suspira quietinho o frágil silencio,
De nevoas que banham tantos animais;
E neste momento de tédio propenso
Misturam-se em harmonia meus prantos e ais.
É doce o silencio que envolve esta alma,
Carente que brinca e finge dormir;
E vem esta brisa que alisa e acalma,
Minha vida de sonhos que está a sorrir.
*J.L.BORGES
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