“SILENCIO E A ESCURIDÃO”
No mais profuso silencio,
Um sussurro parece um imenso grito;
O brado do leão milenar,
As trombetas no infinito.
Na mais difusa escuridão das noites,
Uma tênue centelha torna-se uma lanterna;
A iluminar os caminhos e afastar o breu,
Obscuro que persiste nas cavernas.
Na efervescência cotidiana das cidades,
Um brado forte é um sussurro apenas;
Perante o buzinar do imponderável,
Do incontrolável a sufocar a paz serena.
Na claridade de um fatigante dia febril,
Onde mil sois ofuscam nossa visão;
O mais potente dos holofotes do conhecimento,
É simplesmente uma mera ilusão.
Nesta duvida atroz do efêmero conhecimento,
O que é preferível ser nesta tênue vida;
O menos feio no pais do grotesco,
Ou o menos bonito no pais das beldades distraídas?
Será assim e assim será esta razão,
Um dia o tudo, outro dia o nada ter;
Passam tão rápido o silencio e a escuridão,
Tenhamos pressa pois há muito a aprender.
*J.L.BORGES
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