MINHA ESTRADA
Nesta reta inconstante e incontrolável,
Que é a estrada de minha vida;
Resta uma entrada no oblíquo imaginável,
Universal que tange meus pensamentos.
Entre escombros lineares desta existência,
Carrego aos ombros esta vontade
De adequar-me a esta experiência,
Inefável que cavalga nesta saudade.
Nesta reta inconfundível que é minha estrada,
Encontro-te cheia de curvas insinuando-se;
Nos vãos das madrugadas milenares,
E nos vulgares compartimentos de meu coração.
Assim te fiz canção nestes fragmentos,
De versos de amor que a ti faço;
Pequei estes nacos de sonhos que encontrei em ti,
E fiz-te poesias na reta deste meu caminho.
Não ando mais sozinho no eterno desta estrada,
Pois te levo comigo, aqui no pensamento;
Em forma de saudade, em forma de lembrança,
Enquanto o tempo segue, teimoso esta jornada.
*J.L.BORGES
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