“MEUS FANTASMAS”
Espíritos vagam no escuro da noite,
Onde luzes tremulam expostas ao vento;
São cadentes os sussurros hediondos os açoites,
Na calada da noite, são profanos lamentos.
Vejo almas penadas no canto do quarto,
Entre portas e janelas arrastando correntes;
Eu me tranco no quarto, mas eles não saem,
Ficam me espiando com seus olhos ardentes.
Eles são meus fantasmas e só zombam de mim,
Vagueando em minhas noites que eu passo sem sonhos;
Mas talvez se eu dormir eles possam ir embora,
Pra voltar noutra hora a meu quarto de sono.
*J.L.BORGES
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