“MÃE,ONDE ESTAS QUE NÃO A ENCONTRO ?”
Onde estavas? não te encontrei,
Lançaste-me ao mundo sem ter um porto;
Pedia afagos, nada ganhei,
A não ser a ausência do teu conforto.
Para onde fostes lagrima querida?
Fizestes magoas, nada por mim;
Plantastes rosas em minhas feridas,
Estéreis espinhos em meu jardim.
Para onde fostes dentro da noite,
A onde o medo me assolava;
Ganhei teu pão e teus açoites,
E a tua ausência me alimentava.
E destas rosas colhi serpentes,
A me ferirem o calcanhar;
Do pão mofado pedras somente,
Num tempo errado sem te encontrar.
E agora dou-te neste teu dia,
Os meus suspiros ao te lembrar;
Das tuas rosas fiz melodia,
Do pão mofado nuvens no ar.
*J.L.BORGES
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