LIDA DE TROPEIRO
Sem muito rodeio me aprochego do fogo de chão,
E na prosa descompromissada com os velhos cueras;
Acendo meu palheiro, tomo um bom chimarrão,
Depôs descanso um poquito na mosqueada tapera.
A noite apontam e um gordo carreteiro vem de bom grado,
Boa sustância neste fim de tarde;
Pego a guapa prum talagaço de trago,
E lembro da chinoca, paixão que aqui arde.
Esta lida de tropeiro me deixa desgarrado,
Daquele meu rancho onde vive a prendinha;
Eu cá, estando longe, solito e apaixonado,
Não sai do pensamento a bela prenda minha.
Mas amanhã bem cedito volto para meu torrão,
Lá vou prosear com os amigoa e na venda tomar trago;
Depôs namorar a chinoquita, dona do meu coração,
E depôs sem muita pressa, cevar meu mate amargo.
*JORGE L. BORGES
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