FIM DE ANO
A vida passa cadente,
Veloz a passar o vento;
Os dias correm depressa,
Os minutos devoram o tempo.
No tic-tac moroso,
O relógio engole as horas;
E o badalar dos sinos,
Diz que o ano vai embora.
Os momentos vão fluindo,
E a efêmera vida passa;
Sulcos profundos na face,
Da paixão que perdeu a graça.
A primavera se foi,
Chega o verão carrancudo;
Murchando as flores de outrora,
E o ano passa mudo.
*J.L.BORGES
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