DEMÔNIOS MIRINS
Mais de mil demônios mirins,
Zombam em meu ouvido de sono
Fazendo a noite ficar,
Maior que meu abandono.
Pego palha, faço fumo,
Mas os demônios não fogem
Fico mosqueado e cansado,
Aspirando esta fuligem.
Fico tonto e me tapeio,
Fico torto e me entorto;
Sentindo o ferrão mirim,
Destes demônios em meu dorso.
A noite engole minhas horas,
Mas não devora os medonhos;
Fico preso nesta cama,
Eu, a noite e os demônios.
*J.L.BORGES
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