“A MORTE”
A morte, boa senhora,
Cria aquilo que destroi;
Chega aqui sem marcar horas,
Com o tempo que a vida rói.
A morte cria ilusões,
Mas pede algo em troca;
Entra em nossos corações,
Nos intimida e destroça.
Finge ser boa companheira,
Nos dando a mão e carinho;
Mas na hora derradeira,
Se torna erva daninha.
E destroça a alma da gente,
Sem ter dó nem piedade;
A morte é eloquente,
Inocente e sem maldade.
*J.L.BORGES
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