VERSOS DE AMOR
Meus versos de amor que faço a ela,
São disfarces de sonhos e solidão;
Palavras tão confusas, tão difusas,
Reverso desta luz na escuridão.
Ó versos retraídos de amor,
Que rasgam este peito e me confortam;
São lamurias distraídas, quase mortas,
Velhos versos que despertam esta dor.
São versos de tristeza, ó minha senhora,
Certeza de um amor que doce era;
Num tempo de eterna primavera,
Porem agora é inverno e a alma chora.
Meus versos são iguais a esta chuva,
Que teima em bater nesta janela;
A noite chega solta e a alma muda,
Faz versos de amor só para ela.
*J.L.BORGES
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