MEUS SENTIDOS
Quem dera eu sentisse o perfume das flores,
As cores do mundo na minha visão.
Ouvisse a canção do vento nos campos;
Sentisse em meu tato a tenra paixão.
Gravasse em meu cérebro somente a imagem,
De grandes momentos de paz e emoção.
Na ponta da língua semeasse ao vento,
A boa mensagem na voz da razão.
Sonhasse acordado um sonho preciso,
No bom paraíso de mel e maça.
No auge do amor sentisse com a amada,
Um prazer tão profundo que é só frenesi.
Conquistasse com a amada as alegrias do mundo,
Por que o inferno e céu são aqui.
Soubesse escrever palavras de apoio,
Sem o compromisso de as apagar.
E sem sacrifício ensinasse a meu povo;
A simples ventura de viver e sonhar.
*J.L.BORGES
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