DEMENTES
Seres imaginários,
No espaço sideral,
De nossa mente.
Serão naves espaciais,
Ou cometas incandescentes?
Neste universo indelével,
Que meu dedo quase toca,
Vejo miragens profanas,
Nesta dor,
Que me provoca.
Olho ao lado,
E vejo portas,
Impertinentes, trancadas;
São caminhos impotentes,
Que sempre me levam ao nada.
Eu não sei se somos anjos,
Ou se somos almas penadas,
Arrastando estas correntes;
Uns dizem que somos feras,
Outros que somos dementes.
Eu cultivo envolta aos muros,
Meus suspiros e tristes ais,
Nossos risos sem futuro
Gastas vida,
E nada mais.
*J.L.BORGES
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