BIRRAS DA SOLIDÃO
Ando tristonho, não tenho sono,
Até o sono me escapuliu,
Esta saudade meu peito invade,
Neste inverno de tanto frio.
Meu violão está num canto,
Só este pranto responde agora;
Minha senhora, os teus encantos,
Contigo foram, foram simbora.
Ando tão longe nos descaminhos,
Longe do ninho e a solidão;
Está comigo, durmo sozinho,
E a meu lado o violão.
A noite escura está comigo,
Neste meu quarto eu vejo a porta;
Sempre fechada e eu calado,
Com está dor que me conforta.
Espero o dia que nunca chega,
Outra amanhã a iluminar;
Pra quê a birra que tanto teima?
Minha alma queima, vou te buscar.
*J.L.BORGES
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