BICHO PAPÃO
Meu zoio chora a tua ausência,
Sem teu chamego me desespero;
Fico com medo sem tua presença,
Tando contigo fico facero.
Muié que acende os meus desejos;
Me faz vortá a ser moleque;
Na estripulia dos quentes beijos,
Eu fico tonto sem ter pileque.
Sair daqui eu não mais saio,
Nem se a puliça vir me prende;
Longe de ti eu me atrapaio,
Me espaio todo meu bem querê.
Nem na zoropa existi argúem,
Igual a tu, meu pão di ló;
Eu sou teu dengo, tu meu neném,
Muié dengosa, minha linda flô.
Nesta lucura sem compromisso,
Sou tua caça, minha tentação;
No recomeço do pricipiciu,
No fim da istória, sou teu papão.
*J.L.BORGES
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