sexta-feira, 23 de março de 2018

A CASA

A CASA

Não me esqueço do amor,

Que flui desta casa;

Hoje um naco de dor,

Passarinho sem asa.

Velha casa esquisita,

Que tristeza me traz;

Nesta magoa maldita,

Tão dispersa de paz.

Casa escassa de sono,

E de sonhos também;

É cruel o abandono,

Eu aqui sem meu bem.

Este alguém que acolhi,

Nesta casa que era;

Antes dela aqui,

Uma só primavera.

  *J.L.BORGES

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