PORTO ALEGRE
Na Praia de Belas,
Te vejo tão bela;
Sorrindo e sonhando,
Naquela janela.
Na rua da praia,
De sois e estrelas;
Eu vejo a sereia,
Perfumes na meia.
No Moinho de Ventos,
Ele beija a vidraça;
Da casa azulada,
Em frente a praça.
São tantos os momentos,
De paz e canção;
Piá na Harmonia,
Rodando o pião.
E tem Ipanema,
Cristal e Tristeza;
Pedindo-me um beijo,
Um sonho na mesa.
Revejo sorrisos,
No luar do Bom fim;
O abraço preciso,
Será que é pra mim?
Assim vou voando,
Igual zepelim;
Entre bares e praças,
Da Vila Jardim.
A rosa vermelha,
Lá na Redenção;
Menino que corre,
Flutua no chão.
Vielas e ruas travessas,
Da Borges a Assunção;
Correndo destas gentes as avessas,
Com um sonho na mão.
Em meu coração aparece,
E floresce a flor da manhã;
Um sonho encantado, uma prece,
Num cantinho do meu Camaquã.
Sarandi em aplausos cantando,
É o povo encantado saudando;
Tomando cerveja e brindando,
Num bar pequenino, pertinho daqui.
Navega este barco de sonhos,
Beijando as Flores, a Pintada;
Levando a saudade de ontem,
Na longa jornada
Saudade do centro, das vilas,
De tantas favelas;
Na grande Cruzeiro esquecida,
Onde a fera é a bela.
A esquerda a igreja são João,
Duendes na vila Floresta;
Sereias, dragões em seresta,
Na Lomba e Restinga.
A luz que ilumina a cidade,
Será sempre a luz que ilumina,
O olhar de amor que envolve,
Naquela menina.
No alto da Glória,
A menina provoca;
Tão bela é a vida,
Que quase me toca.
E na catedral,
O bispo proclama;
Seu amor a cidade,
Um amor sem igual.
Assim é Porto Alegre,
Onde acordo, adormeço;
Minha prenda estrelada,
Que jamais esqueço
És a flor preferida,
Em um dia especial;
Meu cartaz, minha certeza,
Meu cartão, meu postal.
E assim Porto Alegre,
Será sempre assim;
Cidade que mora,
Bem dentro de mim.
*J.L.BORGES
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