quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

PORTO ALEGRE

PORTO ALEGRE

Na Praia de Belas,

Te vejo tão bela;

Sorrindo e sonhando,

Naquela janela.

Na rua da praia,

De sois e estrelas;

Eu vejo a sereia,

Perfumes na meia.

No Moinho de Ventos,

Ele beija a vidraça;

Da casa azulada,

Em frente a praça.

São tantos os momentos,

De paz e canção;

Piá na Harmonia,

Rodando o pião.

E tem Ipanema,

Cristal e Tristeza;

Pedindo-me um beijo,

Um sonho na mesa.

Revejo sorrisos,

No luar do Bom fim;

O abraço preciso,

Será que é pra mim?

Assim vou voando,

Igual zepelim;

Entre bares e praças,

Da Vila Jardim.


A rosa vermelha,

Lá na Redenção;

Menino que corre,

Flutua no chão.

Vielas e ruas travessas,

Da Borges a Assunção;

Correndo destas gentes as avessas,

Com um sonho na mão.

Em meu coração aparece,

E floresce a flor da manhã;

Um sonho encantado, uma prece,

Num cantinho do meu Camaquã.

Sarandi em aplausos cantando,

É o povo encantado saudando;

Tomando cerveja e brindando,

Num bar pequenino, pertinho daqui.

Navega este barco de sonhos,

Beijando as Flores, a Pintada;

Levando a saudade de ontem,

Na longa jornada

Saudade do centro, das vilas,

De tantas favelas;

Na grande Cruzeiro esquecida,

Onde a fera é a bela.

A esquerda a igreja são João,

Duendes na vila Floresta;

Sereias, dragões em seresta,

Na Lomba e Restinga.

A luz que ilumina a cidade,

Será sempre a luz que ilumina,

O olhar de amor que envolve,

Naquela menina.




No alto da Glória,

A menina provoca;

Tão bela é a vida,

Que quase me toca.

E na catedral,

O bispo proclama;

Seu amor a cidade,

Um amor sem igual.

Assim é Porto Alegre,

Onde acordo, adormeço;

Minha prenda estrelada,

Que jamais esqueço

És a flor preferida,

Em um dia especial;

Meu cartaz, minha certeza,

Meu cartão, meu postal.

E assim Porto Alegre,

Será sempre assim;

Cidade que mora,

Bem dentro de mim.

 *J.L.BORGES

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