GENTE DA NOITE
A luz das lâmpadas nascem os sonhos,
Na esquina quieta, uma mulher;
Na rua nua homens estranhos,
Bebendo luas num bar qualquer.
Outra cerveja naquela mesa,
Sob a tristeza à luz néon;
Na noite alva o azul batom,
Tanta alegria, pouca cerveja.
Por que o estranho a ti consome,
Mulher tão fácil, tão esquecida?
Vem a saudade que em ti se some,
E se eleva alem da vida.
São tantos bares, tantos lugares,
Na longitude desta avenida;
Homens discretos, porem vulgares,
Na umidade desta bebida.
*J.L.BORGES
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