O ARMAZEM
Promessas em ofertas nas prateleiras,
Na geladeira um coração;
A aguardente a esquentar a gente,
Um velho vinho a inspirar canção.
Quilos de trigo pra inventar um sonho,
O fermento seco a gerar a vida;
E lá num canto da frágil vitrine,
A boneca de pano, plácida e aquecida.
Em cima do balcão azul e empoeirado,
Velha balança a pesar momentos;
Entre brinquedos e guloseimas,
Inerte repousa tantos cata ventos.
Tantos objetos, muitas propagandas,
Faladas em radio, impressos em jornais;
Faz do armazém este novo mundo,
Um mundo colorido este cartão postal.
*J.L.BORGES
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