A MORTE
A morte é sono sem sonhos,
Lábio sem sorrir, sem dizer nada;
Uma lâmpada ineficaz e apagada,
Longe daquilo que é feliz ou é medonho.
As portas da morte são longos labirintos,
Levando a incerteza a lugar algum.
É sombra ofuscando o futuro, a alegria,
A dor que o homem sente, a paz que sinto.
Na lavoura da eternidade ela encanta,
Semeando saudade, semeando esperança;
O vulto hoje inerte, ontem era criança,
Amanhã nesta colheita apenas planta.
*J.L.BORGES
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